artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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31 de dezembro de 2013

os porquês do voto obrigatório

[A long line of people wait outside the polling station in the black township of Soweto, in the southwest suburbs of Johannesburg, to vote in South Africa's first all-race elections on April 27, 1994. 
The Big Picture] 


A eficácia de votar
Gazeta do Povo, 31 dez. 2013

Luiz Domingos Costa

Segundo o filósofo da ciência Karl Popper, as Ciências Sociais têm como missão identificar as consequências não intencionais de ações humanas planejadas. Assim, muitas ações pensadas para a obtenção de certos objetivos caminham para resultados não esperados, que produzem estruturas e modos de ação que se perpetuam sistematicamente. Um exemplo é a própria democracia representativa. Quando tentamos retirar o poder das mãos dos príncipes, produzimos os políticos profissionais, eles próprios árduos lutadores pela manutenção do poder.

Essa concepção serve perfeitamente para avaliar um dos bons argumentos a favor da extinção do voto obrigatório. Há argumentos ruins. Especialmente um que domina a discussão no Brasil, consiste em desmerecer a qualidade dos eleitores “desinteressados”. O defeito seria obrigar pessoas sem vontade a tomar uma decisão eleitoral. Todavia, se ignora que o interesse por política é ele próprio produto do tipo contexto socioeconômico e político aos quais os indivíduos estão expostos.

Como qualquer preconceito, o argumento acima difunde o ódio contra os eleitores menos escolarizados, mas ignora evidências básicas. Não existe relação de causa e efeito entre o tipo do voto (se livre ou compulsório) e o nível de democracia e desenvolvimento de um país. Tanto o é que temos voto obrigatório em países apontados como desenvolvidos, tais como Austrália, Bélgica e partes da Suíça; e também temos voto facultativo em países subdesenvolvidos, como Zâmbia, Tailândia e Colômbia.

Por outro lado, o bom argumento a favor do voto facultativo se refere simplesmente à liberdade de escolher participar da comunidade política durante as eleições. Numa sociedade democrática e livre, nada mais justo que o voto seja um ato de livre arbítrio, sem coerção estatal. Temos um objetivo pleno de conotações positivas: aumentar a liberdade e diminuir a interferência estatal na vida individual.

Entretanto, pesquisas da Ciência Política mostram que o comparecimento eleitoral ostensivo – cujo maior propulsor é a obrigatoriedade do voto – produz maior “sentimento de eficácia política” na população como um todo. Esse sentimento é definido como a sensação individual de interferir nos rumos da comunidade, difundindo entre os cidadãos a noção de responsabilidade sobre o destino de sua sociedade. Embora haja outras formas de participação política possíveis, quanto mais pessoas votam de modo regular, mais se obtém sentimento de eficácia política, de que cada um pode contribuir para aprimorar as instituições que organizam e a sociedade em que vivem. Assim é que eleitores aprendem a premiar governos e a punir governos, porque entendem que sua decisão pode definir os passos seguintes de sua comunidade, na qual viverão seus descendentes.

Assim, chegamos a um resultado não intencional nocivo embutido no aumento da liberdade individual: quanto se libera a decisão ao eleitor de comparecer ou não, há a diminuição do contingente de votantes e, consequentemente, menor difusão do sentimento de eficácia política entre a população. Com isso, produziremos indivíduos cínicos para com a sua própria atividade política. “Já que eu não votei, não me importa se as instituições funcionam e se o governo é bom”. De uma intenção libertadora, pode-se produzir resultados não previstos e perversos. A rotinização da abstenção eleitoral (a recusa de participar) pode sabotar o aprendizado que o ato de votar produz no longo prazo.

Luiz Domingos Costa é professor de Ciência Política do Centro Universitário Uninter e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira (NUSP) da UFPR.

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16 de novembro de 2013

a militarização da polícia no brasil

[Manifestação contra o 
Custo de Vida
São Paulo, SP, 1978
Juca Martins. 
Coleção Pirelli Masp] 

Ainda a ditadura militar

Fábia Berlatto

Gazeta do Povo, 12 nov. 2013

São emblemáticas as opiniões registradas por leitores sobre os dados relativos a mortes de civis atribuídas a policiais militares, tema de reportagem da Gazeta do Povo do último domingo. Crenças como a de que a cultura institucional autoritária em plena democracia não importa; de que quanto mais a polícia matar “bandidos”, mais seguros estaremos; de que determinadas categorias de pessoas não têm direitos, por princípio; de que as leis não funcionam e, portanto, a violência está justificada; de que quanto maiores as taxas de crime, mais dura deve ser a abordagem policial.

Essas opiniões formam o arcabouço de crenças que sustenta o drama público que é nosso modelo de polícia. Some-se a isso a preocupação dos comandantes em conservar a autonomia institucional das policias militares diante de controles democráticos. Temos a receita ideal: uma polícia violenta para uma sociedade violenta. Mas essa questão deve ser pensada num registro mais específico: o da militarização das condutas e dos valores da instituição policial no Brasil.

O prejuízo em manter uma polícia militarizada não ocorre apenas para aqueles que depositam na força repressiva toda a expectativa por segurança. A divisão de poder e privilégios entre oficiais e praças (herança histórica do status de nobreza usufruído pelos oficiais do Exército, e que é só mais um reflexo das hierarquias da sociedade brasileira) é um fardo pesado para os profissionais que estão na base da pirâmide policial.

Os regulamentos que incidem sobre as condutas policiais são extremamente arcaicos, uma vez que estão baseados no Regulamento Disciplinar do Exército. Há uma incompatibilidade evidente dessas normas com a Constituição de 1988. À vinculação e subordinação com o Exército através da Inspetoria Geral das Polícias Militares soma-se ainda a necessidade de manutenção de estruturas físicas enormes. Fazer funcionar um quartel exige dos policiais a execução de diversas atividades alheias ao policiamento.

Essas características tornam o trabalho do praça um trabalho precário. Além de tudo, na condição de militares, estão proibidos de se sindicalizarem e de reivindicarem melhores salários. Tudo é visto, porque se trata de uma organização militar, como insubordinação. A manutenção de uma Justiça especializada restringe drasticamente processos judiciais transparentes. Temos, assim, que o policial militar não é considerado um cidadão, nem sequer um indivíduo. O treinamento pelo qual passam tem por objetivo anular sua individualidade para o cumprimento cego de ordens. Violências e humilhações são tidas como normais e necessárias na pedagogia militar. Por isso é que os próprios policiais militares desejam mudanças no desenho atual da instituição. É o que aponta o relatório O que pensam os profissionais de segurança pública (Senasp, 2009).

Os níveis de violência empregados por policiais são, em grande medida, fruto de uma instituição que se esmera em construir uma cultura profissional pautada na guerra e em noções éticas que dignificam essa causa. Isto permite (ou exige) que seus membros cometam atos de violência em nome da defesa da pátria, da instituição, da sociedade. É a militarização das concepções, das ordenações, das práticas e dos valores, o que impossibilita as instituições policiais de lidar com a população de outra forma que não através do uso irracional e desmesurado da força.

Fábia Berlatto é cientista social.
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14 de outubro de 2013

III workshop nusp/ufpr

[fundos do Copan
Oscar Niemeyer
São Paulo] 






programação

2013, outubro, 24
manhã
8hs 30min. Palestra: Apresentação dos bancos de dados do nusp (luiz domingos costa)

9hs 30min.
Notas metodológicas sobre o uso de um instrumento de pesquisa – prodasen (paula matoski butture e ana paula lopes ferreira)

10hs.
Uma análise decisória do tribunal de justiça do paraná (cíntia leal)
Análise do processo de institucionalização do supremo tribunal federal e do superior tribunal de justiça de 1964 a 2012 (thâmara tavares)
Os agentes da economia chilena: o estudo sobre os chicago boys e o monjes da cieplan (felipe alejandro)

tarde
14hs 30min
Engajamento e militância associativa enquanto recurso político: o caso dos senadores brasileiros entre 1986 e 2010 (dhyeisa rossi)
Os representantes do pmdb no mato grosso do sul (tiago leme)

2013, outubro, 25
manhã
9hs. Palestra: Análise de redes sociais e financiamento político (rodrigo horochovski)

10hs.
Prefeitos no nordeste: o que realmente importa para se tornar chefe do poder executivo nos municípios nordestinos (paulo franz)
Sucesso eleitoral nas eleições municipais de 2012 no estado de são paulo e suas variáveis condicionantes (mariana lorencetti)
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8 de setembro de 2013

codificando profissões em estudos de elites políticas

[Marcel Gautherot,
Brasília - DF] 



Codificando profissões em estudos de elites políticas: uma discussão metodológica e tipológica 

Luiz Domingos Costa (NUSP/UFPR; Uninter)
Adriano Codato (NUSP/UFPR)
Lucas Massimo (NUSP/UFPR)

setembro 2013

Paper apresentado no Colóquio Elites em diferentes escalas: teoria e metodologia no estudo de grupos dirigentes - Curitiba, 12 e 13 setembro de 2013.

Resumo:

O paper propõe uma discussão metodológica sobre definição, classificação e mensuração das posições sociais das elites políticas parlamentares. Para tanto, apresenta diferentes estratégias teórico-metodológicas para enquadrar a variável “ocupação prévia à carreira política”, e sugere a pertinência de conjugar mais de um indicador para essa mensuração. Sustenta-se que as transformações no recrutamento político brasileiro podem ser mais bem apreendidas por meio de uma tipologia que leve em conta, ao mesmo tempo, dimensões sociais e políticas dos parlamentares. O paper testa dois modelos de codificação de ocupações em duas bases de dados: a primeira, sobre os senadores eleitos no Brasil entre 1918 e 2010, procura avaliar as alterações na forma como cada codificação de ocupações capta mudanças sócio-políticas em longas séries temporais. Além desta, também são utilizados dados sobre candidatos à deputado federal em 2006 para simular o rendimento das classificações ocupacionais convencionais. Por fim o paper apresenta uma proposta de classificação inédita, resultado de uma tipologia indutiva, que seja capaz de assimilar variações nos valores que as ocupações assumem ao longo da história.

Palavras-chave: profissões, carreira política, políticos profissionais, critérios de classificação de profissões.


para baixar o paper
clique aqui
[Scribd.]

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27 de agosto de 2013

programa de curso: política brasileira (ufpr 2/2013)

[Construção do 
Palácio do Congresso Nacional 
em 1958.
Marcel Gautherot]


Objetivos:
O objetivo do curso é revisitar as interpretações clássicas da Sociologia Política e da Ciência Política brasileiras sobre a política nacional num período que vai do II Império aos anos 1990. Para isso, foram selecionados onze livros que constituem as referências mais básicas da área de estudos. A orientação é que se leiam os livros por inteiro. Cada uma das obras está no princípio de um debate importante ou inaugurou uma área de investigação da Ciência Política/Sociologia Política no Brasil. A ideia é refazer este debate procurando mostrar seus desdobramentos e sua repercussão na discussão mais contemporânea. A bibliografia complementar é meramente indicativa, limitada a apenas cinco referências e será complementada a cada aula. Selecionei apenas textos de fácil acesso para cada referência básica.

Esquema do curso:
Serão 12 encontros ao longo de 12 semanas. A cada encontro haverá um seminário (em equipes de dois ou três estudantes, com dois ou três debatedores), a cargo dos estudantes matriculados regularmente (no mestrado em Ciência Política; ou no Programa de Mestrado/Doutorado em Políticas Públicas, etc.); e uma aula expositiva, a cargo do professor.
A aula poderá ser tanto introdutória aos temas a serem discutidos, antes do seminário, portanto; quanto complementar ao seminário e dada na sequência.
Para os seminários, os livros deverão ser lidos integralmente pelos expositores (uma equipe) e debatedores (outra equipe).

TODOS OS OUTROS ESTUDANTES que não estiverem escalados para o seminário (isto é, todos aqueles que não forem os expositores e os debatedores daquela sessão) deverão ler as partes de cada livro selecionadas e indicadas pelo professor e enviar, para a lista de discussão do curso, seus comentários (questoes, idéias, dúvidas) até às segundas-feiras, às 14 hs.

Send email to this group: polbras2013@googlegroups.com

Unidade I:
A ORDEM POLÍTICA BRASILEIRA: FUNDAMENTOS HISTÓRICOS
Nº de Encontros:
três
3 de setembro

         I.            Elites políticas e formação do Estado nacional

Bibliografia obrigatória
José Murilo de Carvalho, A construção da ordem. (seminário; aula)
Comentários: pp. 11 a 180.

Bibliografia complementar
BARMAN, R.; BARMAN, J. The Role of the Law Graduate in the Political Elite of Imperial Brazil. Journal of Interamerican Studies and World Affairs, v. 18, n. 4, p. 423–450, 1976.
CARVALHO, J. M. DE. Political Elites and State Building: The Case of Nineteenth-Century Brazil. Comparative Studies in Society and History, v. 24, n. 3, p. 378–399, 1982.
FLORY, T. Judicial Politics in Nineteenth-Century Brazil. The Hispanic American Historical Review, v. 55, n. 4, p. 664–692, 1975.
LOVE, J. L.; BARICKMAN, B. J. Rulers and Owners: A Brazilian Case Study in Comparative Perspective. The Hispanic American Historical Review, v. 66, n. 4, p. 743–765, 1986.
PANG, E.-S.; SECKINGER, R. L. The Mandarins of Imperial Brazil. Comparative Studies in Society and History, v. 14, n. 2, p. 215–244, 1972.
10 de setembro
         I.            Poder local versus poder nacional
Bibliografia obrigatória
Victor Nunes Leal, Coronelismo, enxada e voto. (seminário; aula)
Comentários: pp. 9 a 54 e 69 a 113.

Bibliografia complementar
CARNEIRO, L. P.; ALMEIDA, M. H. T. DE. Definindo a arena política local: sistemas partidários municipais na federação brasileira. Dados, v. 51, n. 2, p. 1–24, 2008. http://bit.ly/13ZjjcG
CARVALHO, J. M. de. Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitual. Dados, v. 40, n. 2, p. 20–21, 1997. http://bit.ly/13ZixfD
FARIAS, F. P. DE. Clientelismo e democracia capitalista: elementos para uma abordagem alternativa. Revista de Sociologia e Política, n. 15, p. 49–66, nov. 2000. http://bit.ly/13Zj1Ck
LIMONGI, F. Eleições e democracia no Brasil: Victor Nunes Leal e a transição de 1945. Dados, v. 55, n. 1, p. 37–69, 2012. http://bit.ly/19T7exx
SANTOS, A. M. DOS. Topografia do Brasil profundo: votos, cargos e alinhamentos nos municípios brasileiros. Opinião Pública, v. 19, n. 1, p. 1–20, jun. 2013. http://bit.ly/19T6s3I
SANTOS, W. G. DOS. O sistema oligárquico representativo da Primeira República. Dados, v. 56, n. 1, p. 9–37, 2013. http://bit.ly/1fcdI7E


17 de setembro
        II.            Corporativismo, pluralismo e regionalismo
Bibliografia obrigatória
Simon Schwartzman, As bases do autoritarismo brasileiro. (seminário; aula)
Comentários: pp. 19 a 57 e 181 a 258.

Bibliografia complementar
CODATO, A. A formação do campo político profissional no Brasil: uma hipótese a partir do caso de São Paulo. Revista de Sociologia e Política, v. 16, n. 30, p. 89–105, jun. 2008. http://bit.ly/1fce4v1
PERISSINOTTO, Renato M. Estado, capital cafeeiro e crise política em São Paulo na década de 1920. The Hispanic American Historical Review, New Haven, v. 80, n.2, p. 299-332, 2000.
REIS, Fábio Wanderley. As eleições e o problema institucional (2): a revolução é a geral cooptação. Dados, v. 14, p. 185-200, 1977.
WOODARD, J. P. A Place in Politics: São Paulo, Brazil, from Seigneurial Republicanism to Regionalist Revolt. Durham, NC; London: Duke University Press, 2009.
WOODARD, J. P. History, Sociology and the Political in São Paulo, Brazil. Journal of Latin American Studies, v. 37, n. 2, p. 333–349, 2005.

Unidade II:
ANÁLISES CLASSISTAS DA POLÍTICA BRASILEIRA
Nº de Encontros:
quatro
1 de outubro
      III.            Burguesia e revolução
Bibliografia obrigatória
Boris Fausto, A Revolução de 1930. (seminário; aula)
Comentários: pp. 7-73 e p. 116-151.

Bibliografia complementar
CAMPOS, F. O Estado nacional: sua estrutura; seu conteúdo ideológico. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940.
DRAIBE, Sônia. Rumos e metamorfoses: um estudo sobre a constituição do Estado e as alternativas da industrialização no Brasil, 1930-1960. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
FAUSTO, Boris. Estado, Classe trabalhadora e burguesia industrial (1920 - 1945): uma revisão. Novos Estudos Cebrap, n° 20, março de 1988. p. 6-37.
LEOPOLDI, Maria Antonieta P. Política e interesses: as associações industriais, a política econômica e o Estado na industrialização brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
MARTINS, Luciano. A revolução de 1930 e seu significado político. In: CPDOC/FGV. A revolução de 1930: seminário internacional. Brasília: Ed. UnB, 1983, p. 669-689.
VIANNA, L. W. Caminhos e descaminhos da revolução passiva à brasileira. Dados, v. 39, n. 3, 1996. http://bit.ly/14sOosL


8 de outubro
     IV.            As camadas médias e participação política
Bibliografia obrigatória
Décio Saes, Classe média e sistema político no Brasil. (seminário; aula)
Comentários: pp. 27-150.

Bibliografia complementar
BRESSER-PEREIRA, L. C. Capitalismo dos técnicos e democracia. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 20, n. 59, p. 133–148, out. 2005. http://bit.ly/1aFOIbv
CODATO, A. Classes dirigentes e fórmula política: afinidades eletivas entre o liberalismo e o autoritarismo no Brasil. In: ALMEIDA, João Ferreira de; SILVA, Manuel Carlos; AGUIAR, João Valente. (Org.). Classes sociais e processos de identificação cultural. Famalicão (Portugal): Humus, 2013, p. 221-245.
SCALON, C.; SALATA, A. Uma nova classe média no Brasil da última década?: o debate a partir da perspectiva sociológica. Sociedade e Estado, v. 27, n. 2, p. 387–407, ago. 2012. http://bit.ly/1aFNZaj
TRÓPIA, P. V. Sindicalismo comerciário: retaguarda e conservadorismo político. Cadernos Arquivo Edgard Leuenroth (UNICAMP), v. 12-13, p. 73-114, 2000. http://bit.ly/18Dex5T


15 de outubro
      V.            O proletariado brasileiro
Bibliografia obrigatória
Angela M. de Castro Gomes, A invenção do trabalhismo. (seminário; aula)
Comentários: pp. 189-287.

Bibliografia complementar
CARDOSO, A. Uma utopia brasileira: Vargas e a construção do estado de bem-estar numa sociedade estruturalmente desigual. Dados, v. 53, n. 4, p. 775–819, 2010. http://bit.ly/1fcfiq4
MARCONDES FILHO, Alexandre. Trabalhadores do Brasil! Palestras do Ministro Marcondes Filho na Hora do Brasil, em 1942. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1943.
PARANHOS, Adalberto. O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil. São Paulo: Boitempo, 1999.
SAES, D. A. M. DE. A questão da evolução da cidadania política no Brasil. Estudos Avançados, v. 15, n. 42, p. 379–410, ago. 2001. http://bit.ly/1aFOlNV


22 de outubro
     VI.            O povo na política nacional
Bibliografia obrigatória
Francisco Weffort, O populismo na política brasileira. (seminário; aula)
Comentários: pp. 15-121.

Bibliografia complementar
FERREIRA, Jorge. O nome e a coisa: o populismo na política brasileira. In: FERREIRA, J. (org), O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 59-124.
JAGUARIBE, Hélio. Que é o ademarismo? Cadernos do Nosso Tempo, n. 2, jan.-jun. 1954.
LEVINE, Robert M. Pai dos pobres? O Brasil e a era Vargas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
MIGUEL, L. F. O representante como protetor: incursões na representação política “vista de baixo.” Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 27, n. 79, p. 31–47, jun. 2012. http://bit.ly/19T450F
SAES, Décio. A reemergência do populismo no Brasil e na América Latina. In: Evelina Dagnino (org.), Anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1994.
TERRON, S. L.; SOARES, G. A. D. As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio. Opinião Pública, v. 16, n. 2, p. 310–337, nov. 2010. http://bit.ly/1aFRA89



Unidade III:
ESTADO E REPRESENTAÇAO DE INTERESSES NO BRASIL
nº de encontros:
um
5 de novembro
   VII.            Estado, burocracia e formas de representação de interesses
Bibliografia obrigatória
Luciano Martins, Estado e burocracia no Brasil pós-64. (seminário; aula)
Comentários: pp. 41-82 e p. 195-239.

Bibliografia complementar
CARDOSO, Fernando Henrique. Autoritarismo e democratização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
DINIZ, Eli. Engenharia institucional e políticas públicas: dos conselhos técnicos às câmaras setoriais. In: PANDOLFI, Dulce D. (org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999.
LOUREIRO, M. R.; ABRUCIO, F. L. Política e burocracia no presidencialismo brasileiro: o papel do Ministério da Fazenda no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 14, n. 41, p. 69–89, out. 1999. http://bit.ly/1fceWQl
NUNES, Edson. A gramática política do Brasil: clientelismo e insulamento burocrático. Rio de Janeiro: ENAP/Jorge Zahar, 1997.
OLIVIERI, C. Política, burocracia e redes sociais: as nomeações para o alto escalão do Banco Central do Brasil. Revista de Sociologia e Política, n. 29, p. 147–168, nov. 2007. http://bit.ly/14SOJBr
SCHMITTER, Philippe C. Interest Conflict and Political Change in Brazil. Stanford: Stanford University Press, 1971.
SCHNEIDER, Ben Ross. Burocracia pública e política industrial no Brasil. São Paulo, IDESP/Editora Sumaré, 1994.


Unidade IV:
ANÁLISES INSTITUCIONAIS DA POLÍTICA BRASILEIRA
nº de encontros:
três
12 de novembro
  VIII.            A formação dos partidos nacionais no pós-1946 e sua dinâmica contemporânea
Bibliografia obrigatória
Maria do Carmo Campello de Souza, Estado e partidos políticos no Brasil (1930-1964). (seminário; aula)
Comentários: pp. 63-168.

Bibliografia complementar
BOLOGNESI, B. A seleção de candidaturas no DEM, PMDB, PSDB e PT nas eleições legislativas federais brasileiras de 2010: percepções dos candidatos sobre a formação das listas. Revista de Sociologia e Política, v. 21, n. 46, p. 45–68, jun. 2013. http://bit.ly/14YXk5K
BRAGA, M. DO S. S.; PIMENTEL JR, J. Os partidos políticos brasileiros realmente não importam? Opinião Pública, v. 17, n. 2, p. 271–303, nov. 2011. http://bit.ly/19T7vR3
LIMA JR., Olavo Brasil. (1983), Partidos políticos brasileiros. A experiência federal e regional: 1945/64. Rio de Janeiro, Graal.
MAINWARING, Scott. Rethinking party systems in the third wave of democratization. The case of Brazil. Stanford, Stanford University Press, 1999.
REIS, F. W. Identidade política, desigualdade e partidos brasileiros. Novos Estudos - CEBRAP, n. 87, p. 61–75, jul. 2010. http://bit.ly/18frx1o
SOARES, G. A. D. Sociedade e política no Brasil. Desenvolvimento, classe e política durante a Segunda República. São Paulo: Difel, 1973.



19 de novembro
      IX.            Crises e rupturas do sistema político
Bibliografia obrigatória
Wanderley G. dos Santos, O cálculo do conflito: estabilidade e crise na política brasileira. (seminário; aula)
Comentários: pp. 27-47; e 201-302.

Bibliografia complementar
FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 24, n. 47, pp. 29-60, 2004. http://bit.ly/19T7KLO
FIGUEIREDO, Argelina Cheibub. Democracia ou reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
FIGUEIREDO, Argelina e LIMONGI, Fernando. (1999), Executivo e Legislativo na nova ordem constitucional. São Paulo, Ed. da FGV.
LIMONGI, F. Presidencialismo, coalizão partidária e processo decisório. Novos Estudos - CEBRAP, n. 76, nov. 2006. http://bit.ly/19T6ZCB



26 de novembro
       X.            Partidos, eleições, políticos e dinâmica político-institucional no pós-1988
Bibliografia obrigatória
Gláucio Ary Dillon Soares, A democracia interrompida. (seminário; aula)
Comentários: pp. 65-238.

Bibliografia complementar
AMES, Barry. A democracia brasileira: uma democracia em xeque. In: ABREU, Alzira Alves (org.). Transição em fragmentos: desafios da democracia no final do século XX. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001, p. 45-72.
CERVI, E. U. Produção legislativa e conexão eleitoral na assembleia legislativa do estado do Paraná. Revista de Sociologia e Política, v. 17, n. 32, p. 159–177, fev. 2009. http://bit.ly/14YTZDG
MAINWARING, Scott. Políticos, partidos e sistemas eleitorais: o Brasil numa perspectiva comparada. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, 29, março 1991.
PALERMO, Vicente. Como se governa o Brasil? O debate sobre instituições políticas e gestão de governo. Dados, Rio de Janeiro, v. 43, n. 3, 2000. http://bit.ly/19T86Ce
RODRIGUES, L. M. Partidos, ideologia e composição social. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 17, n. 48, p. 31–47, fev. 2002. http://bit.ly/18fseaY
SINGER, A. Raízes sociais e ideológicas do lulismo. Novos Estudos - CEBRAP, n. 85, p. 83–102, 2005. http://bit.ly/14SOk1W
VEIGA, L. F. O partidarismo no Brasil (2002/2010). Opinião Pública, v. 17, n. 2, p. 400–425, nov. 2011. http://bit.ly/14YX32G





Avaliação:

Será preciso ler, no todo ou em parte, os onze livros referidos na bibliografia obrigatória.

A cada livro o estudante deverá enviar, individualmente, questões e comentários semanais antes da respectiva aula expositiva/seminário. Esta é uma parte da nota.

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Dois ou três estudantes formarão um time que deverá apresentar um seminário.
O seminário consistirá na exposição de um dos livros indicados.
Esta será a segunda parte da nota. Haverá também um time de debatedores formado por dois ou três estudantes.
Apresentadores e debatedores devem entregar um relatório da leitura do livro objeto do seminário no dia do seminário.

Ao final, todos os estudantes devem escrever um ensaio discutindo e relacionando no mínimo dois livros (e que sejam – obrigatoriamente – diferentes dos livros apresentados/debatidos nos seus respectivos seminários).


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11 de agosto de 2013

O velho Senado, Machado de Assis

[Palácio Monroe
Rio de Janeiro] 


A PROPÓSITO de algumas litografias de Sisson, tive há dias uma visão do Senado de 1860. Visões valem o mesmo que a retina em que se operam. Um político, tornando a ver aquele corpo, acharia nele a mesma almados seus correligionários extintos, e um historiador colheria elementos para a história. Um simples curioso não descobre mais que o pinturesco do tempo e a expressão das linhas com aquele tom geral que dão as coisas mortas e enterradas.

Nesse ano entrara eu para a imprensa. Uma noite, como saíssemos do teatro Ginásio, Quintino Bocaiúva e eu fomos tomar chá. Bocaiúva era então uma gentil figura de rapaz, delgado, tez macia, fino bigode e olhos serenos. Já então tinha os gestos lentos de hoje, e um pouco daquele ar distant que Taine achou em Mérimée. Disseram coisa análoga de Challemel-Lacour, que alguém ultimamente definia como très républicain de conviction et très aristocrate de tempérament. O nosso Bocaiúva era só a segunda parte, mas já então liberal bastante para dar um republicano convicto. Ao chá, conversamos primeiramente de letras, e pouco depois de política, matéria introduzida por ele, o que me espantou bastante; não era usual nas nossas práticas. Nem é exato dizer que conversamos de política, eu antes respondia às perguntas que Bocaiúva me ia fazendo, como se quisesse conhecer as minhas opiniões. Provavelmente não as teria fixas nem determinadas; mas, quaisquer que fossem, creio que as exprimi na proporção e com a precisão apenas adequadas ao que ele me ia oferecer. De fato, separamo-nos com prazo dado para o dia seguinte, na loja de Paula Brito, que era na antiga praça da Constituição, ao lado do teatro São Pedro, a meio caminho das ruas do Cano e dos Ciganos. Relevai esta nomenclatura morta; é vício de memória velha. Na manhã seguinte, achei ali Bocaiúva escrevendo um bilhete. Tratava-se do Diário do Rio de Janeiro, que ia reaparecer, sob a direção política de Saldanha Marinho. Vinha dar-me um lugar na redação com ele e Henrique César Múzio.

Estas minudências, agradáveis de escrever, sê-lo-ão menos de ler. É difícil fugir a elas, quando se recordam coisas idas. Assim, dizendo que no mesmo ano, abertas as câmaras, fui para o Senado, como redator do Diário do Rio, não posso esquecer que nesse ou no outro ali estiveram comigo, Bernardo Guimarães, representante do Jornal do Commercio, e Pedro Luís, por parte do Correio Mercantil, nem as boas horas que vivemos os três. Posto que Bernardo Guimarães fosse mais velho que nós, partíamos irmãmente o pão da intimidade. Descíamos juntos aquela praça da Aclamação, que não era então o parque de hoje, mas um vasto espaço inculto e vazio como o campo de São Cristóvão. Algumas vezes íamos jantar a um restaurante da rua dos Latoeiros, hoje Gonçalves Dias, nome este que se lhe deu por indicação justamente do Diário do Rio; o poeta morara ali outrora, e foi Múzio, seu amigo, que pela nossa tolha o pediu à Câmara Municipal. Pedro Luís não tinha só a paixão que pôs nos belos versos à Polônia e no discurso com que, pouco depois, entrou na Câmara dos Deputados, mas ainda a graça, o sarcasmo, a observação fina e aquele largo riso em que os grandes olhos se faziam maiores. Bernardo Guimarães não falava nem ria tanto, incumbia-se de pontuar o diálogo com um bom dito, um reparo, uma anedota. O Senado não se prestava menos que o resto do mundo à conversação dos três amigos.
[Machado de Assis]

continua aqui
Estud. av. vol.23 no.67 São Paulo  2009
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30 de julho de 2013

profissionalização ou popularização da classe política brasileira? um perfil dos senadores da República

[Palácio do Itamaraty, 
Oscar Niemeyer 1965.
Brasília DF / Foto: 
Marcel Gautherot] 


Referência:

COSTA, Luiz Domingos; CODATO, Adriano. Profissionalização ou popularização da classe política brasileira? Um perfil dos senadores da República. In: André Marenco (org.). Os Eleitos. Representação e carreiras políticas em democracias. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2013, p. 107-134.

O objetivo deste capítulo é comparar alguns achados disponíveis na literatura nacional sobre a trajetória política e a ocupação profissional de deputados federais para o caso específico dos senadores. Nosso experimento leva em consideração, ao lado de outras fontes, uma base de dados relativamente ampla sobre o Senado (240 indivíduos) num intervalo de tempo considerável: 1986-2010. Na primeira e na segunda seções resumimos algumas análises sobre o processo de recrutamento parlamentar no Brasil focados na Câmara dos Deputados, realçando a dificuldade de comunicação entre elas e, sobretudo, a baixíssima capacidade de, em função dos respectivos achados, se estabelecer uma proposição geral que contemple processos intimamente relacionados, dentre os quais a magnitude da experiência política dos congressistas, as altas taxas de circulação das elites no Legislativo e a transformação do perfil social do pessoal político do país. Na terceira e quarta seções procuramos verificar se o que já se sabe sobre a Câmara Federal vale também para o Senado da República. Ou se, nesse caso, o tempo e o tipo de carreira, aliados aos perfis sociais e políticos dos senadores são um tanto diferentes.

para baixar o texto
clique aqui
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21 de julho de 2013

programa de curso: Métodos de Pesquisa Científica em Ciência Política (2/2013)

[Antonio Maluf] 


Ementa
O campo teórico da ciência política. O campo institucional da ciência política. O campo de pesquisa da ciência política. a conduta na pesquisa. Técnicas de pesquisa e de elaboração de projetos.

Horário
Segunda- feira
7h30 – 9h30
Quarta-feira
9h30 – 11h30

Objetivo
O objetivo do curso é discutir as dificuldades lógicas e práticas envolvidas no processo de construção do objeto de pesquisa em Ciência Política a partir de um interesse difuso. Além dos problemas típicos dessa tarefa (e que envolvem: a definição do tema, a construção do objeto, a formulação de hipóteses de trabalho, a “escolha” do marco teórico etc.), quero discutir alguns tópicos que perpassam nossa prática científica: a amplitude da pesquisa, a necessidade da generalização, o estabelecimento de relações causais, o conhecimento teórico ornamental, o que é uma hipótese e como transformar conceitos em variáveis mensuráveis.


Programa
Apresentação do curso
Bancos de dados e portal de informação em ciência política: um guia (2 setembro)
NOEL, H. Ten Things Political Scientists Know that You Don’t. The Forum, v. 8, n. 3, 2010.
Unidade I. Conhecendo o terreno.
SARTORI, Giovanni. Da sociologia da política à sociologia política. In: LIPSET, Seymour M. (org.). Política e Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Zahar, 1972. (4 setembro)
ALMOND, Gabriel A. Separate Tables. Schools and Sects in Political Science. In: ALMOND, Gabriel. A Discipline Divided. Schools and Sects in Political Science. London: Sage, 1990. (9 setembro)
KEINERT, F. C.; SILVA, D. P. A gênese da ciência política Brasileira. Tempo Social, v. 22, n. 1, p. 79–98, jun. 2010. 11 setembro
SOARES, G. A. D. O calcanhar metodológico da ciência política no Brasil. Sociologia Problemas e Práticas, n. 48, p. 27–52, maio. 2005. (16 setembro)

Unidade II. Exorcizando os relativismos, os epistemologismos, os pós-modernismos e as dialéticas.
CANO, I. Nas trincheiras do método: o ensino da metodologia das ciências sociais no Brasil. Sociologias, v. 14, n. 31, p. 94–119, dez. 2012.
Entrevista de Pierre Bourdieu com Yvette Delsaut: sobre o espírito da pesquisa. Tempo Social, v. 17,  n. 1, jun.  2005.  (18 setembro)
KING, G.; KEOHANE, R. & VERBA, S. Designing Social Inquire. Princeton: Princeton University Press, 1994, Cap. 1: The Science in the Social Science. (30 setembro)
BOUDON, Raymond. Os métodos em Sociologia. São Paulo: Ática, 1989, Cap. 1: As falsas querelas do método, p. 14-23.
ELSTER, Jon. Peças e engrenagens das Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994, Cap. I: Mecanismos, p. 17-25. (2 outubro)

Unidade III. O raciocínio na pesquisa social
a) comparação
SARTORI, G. Comparing and Miscomparing. Journal of Theoretical Politics, v. 3, n. 3, p. 243–257, 1 jul. 1991. (7 outubro)
b) generalização
REIS, Fábio Wanderley. O tabelão e a lupa: teoria, método generalizante e idiografia no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, n. 16, p. 27-42, jun. 1991. (9 outubro)
c) descrição, interpretação, explicação
ARON, Raymond. Relato, análise, interpretação, explicação: crítica de alguns problemas do conhecimento histórico. In: _____. Estudos sociológicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991, Cap. 2, p. 43-97. (14 outubro)
d) estudos de caso
REZENDE, F. DA C. Razões emergentes para a validade dos estudos de caso na ciência política comparada. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 6, p. 297–337, dez. 2011. (21 outubro)
e) formulação de hipóteses
SCHMITTER, P. C. The Design of Social & Political Research. In: PORTA, D. DELLA; KEATING, M. (Eds.). Approaches and Methodologies in the Social Sciences: A Pluralist Perspective. Firenze: Cambridge University Press, 2008. p. 263–295. (23 outubro)

Unidade IV. A prática da pesquisa social
a) definindo conceitos
1. Institucionalização
LEVITSKY, S.. Institutionalization: Unpacking the Concept and Explaining Party Change. In David Collier and John Gerring (eds.). Concepts and Method in Social Science: The Tradition of Giovanni Sartori. Routledge, 2009. (28 outubro)
2. Representação
PITKIN, H. F. Representação: palavras, instituições e ideias. Lua Nova, n. 67, p. 15–47, 2006. (4 novembro)
b) medindo conceitos
1. Ideologia
ZUCCO JR., C. Esquerda, direita e governo: a ideologia dos partidos políticos brasileiros. In: POWER, T. J.; ZUCCO JR., C. (Eds.). O Congresso por ele mesmo: autopercepções da classe política brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 37-60.
TAROUCO, G. S. Brazilian Parties According to their Manifestos: Political Identity and Programmatic Emphases. Brazilian Political Science Review, v. 5, p. 54-76, 2011. (6 novembro)
2. Poder
PERISSINOTTO, Renato M. Poder: Imposição ou consenso ilusório? Por um retorno a Max Weber. In: Renarde Freire Nobre (org.). O poder no pensamento social: dissonâncias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008, p. 29-58.
BELL, Roderick. Political Power: the Problem of Measurement. In: BELL, Roderick, EDWARDS, David V.; WAGNER; R. Harrison (eds.). Political power: a reader in theory and research. New York: Free Press, 1969, p. 13-30. (11 novembro)
3. Elites
DAHL, Robert. Uma crítica do modelo de elite dirigente. In Sociologia política II. Rio de Janeiro: Zahar. 1970
DAHL, Robert A. Further reflections on "The Elitist Theory of Democracy". The American Political Science Review, vol. 60, nº 2, p. 296-305, Jun., 1966. (13 novembro)

Unidade V. Ferramentas úteis na redação científica
a) o título
ANNESLEY, T. M. The title says it all. Clinical chemistry, v. 56, n. 3, p. 357–60, mar. 2010. (18 novembro)
b) o resumo
ANNESLEY, T. M. The abstract and the elevator talk: a tale of two summaries. Clinical chemistry, v. 56, n. 4, p. 521–4, abr. 2010. (25 novembro)
c) a redação científica
DERISH, P. A.; ANNESLEY, T. M. If an IRDAM journal is what you choose, then sequential results are what you use. Clinical chemistry, v. 56, n. 8, p. 1226–8, 2010.
ANNESLEY, T. M. Who, what, when, where, how, and why: the ingredients in the recipe for a successful Methods section. Clinical chemistry, v. 56, n. 6, p. 897–901, jun. 2010. (27 novembro)
d) a redação do projeto de pesquisa
VAN EVERA, Stephen. Guide to Methods for Students of Political Science. Cornell: Cornell University Press, 1997, chap. 3: What is a Political Science Dissertation?, p. 89-95; e chap. 4: Helpful Hints on Writing a Political Science Dissertation, p. 97-113. (2 dezembro)
e) a redação do projeto de pesquisa
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem. A elite política imperial; e Teatro de sombras. A política imperial. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ/Relume-Dumará, 1997, Introdução, p. 11-19. (4 dezembro)

Entrega do projeto de pesquisa (7 dezembro)
Seminário coletivo


Bibliografia complementar
BOX-STEFFENSMEIER, J. M.; BRADY, H.; COLLIER, D. (EDS.). The Oxford Handbook of Political Methodology. Oxford: Oxford University Press, 2010. p. 896
CERVI, E. U. Métodos quantitativos nas ciências sociais. In: BOURGUIGNON, J. A. (org.). Pesquisa Social: reflexões teóricas e metodológicas. Ponta Grossa: Toda Palavra Editora, 2009, p. 125-144.
FISHER, Alec. The Logic of Real Arguments. Cambridge: Cambridge University Press, 1988.
FLINDERS, M.; JOHN, P. The Future of Political Science. Political Studies Review, v. 11, n. 2, p. 222–227, 2013.
JOHNSTON, R. Survey methodology. In: COLLIER, D.; BRADY, H. E. (Eds.). The Oxford Handbook of Political Methodology. Oxford: Oxford Handbooks Online, 2009. p. 1–25.
MAHONEY, J. A Tale of Two Cultures: Contrasting Quantitative and Qualitative Research. Political Analysis, v. 14, n. 3, p. 227–249, 14 jun. 2006.
MAHONEY, J. Comparative-Historical Methodology. Annual Review of Sociology, v. 30, n. 1, p. 81–101, ago. 2004.
PARSONS, C. How to Map Arguments in Political Science. Oxford: Oxford University Press, 2007. p. 220
PENNINGS, P.; KEMAN, H.; KLEINNIJENHUIS, J. Doing Research in Political Science. 2. ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 2006. p. 336
RAGIN, C. C.; AMOROSO, L. M. Constructing Social Research: The Unity and Diversity of Method. 2. ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 2010. p. 248
WEBER, M. The Methodology of the Social Sciences. Glencoe, IL: The Free Press, 1949. p. 205

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