artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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31 de janeiro de 2011

o espaço político segundo Marx

[São Paulo, 1990
Cristiano Mascaro.
Pirelli/MASP] 




publicado em Crítica Marxista (São Paulo), n. 32, 2011.


Sustenta-se neste artigo que a análise das obras históricas de Marx permite afirmar que o espaço político não é um “campo” (de lutas sociais por posições estratégicas), nem um “sistema” (de instituições funcionalmente integradas), nem, no sentido mais convencional, uma “estrutura jurídico-política” (apreensível através dos seus efeitos de classe no mundo social). O espaço político pode ser concebido, pelo marxismo clássico, como uma “forma” cujas propriedades são análogas às da forma-mercadoria. A consequência fundamental disso é que a política prática não pode ser apreendida nem analisada como uma aparência social. Daí a inadequação da expressão “cena política” para descrever a visão de Marx sobre o modo de funcionamento do mundo político.

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3 de janeiro de 2011

revista de sociologia e política: dossiê relações internacionais

[Paris, 1975
Zeka Linhares.
Pirelli/MASP]

Sumário
Rev. Sociol. Polit. vol.18 no.37 Curitiba out. 2010
 
 Dossiê Relações Internacionais: Novos Temas e Agendas
  
 ·  Apresentação
Pereira, Alexsandro Eugenio; Becard, Danielly Silva Ramos; Lacerda, Gustavo Biscaia de

        · texto em Português     · pdf em Português
  
 ·  Regime internacional para refugiados: mudanças e desafios
Rocha, Rossana Reis; Moreira, Julia Bertino

  
 ·  A questão da representação no Mercosul: os casos do Parlasul e do FCCR
Medeiros, Marcelo de Almeida; Leitão, Natália; Cavalcanti, Henrique Sérgio; Paiva, Maria Eduarda; Santiago, Rodrigo

  
 ·  Discípulos de Rawls em busca de uma concepção cosmopolita de justiça distributiva internacional
Cepaluni, Gabriel; Guimarães, Feliciano de Sá

  
 ·  Acordos internacionais e controle parlamentar no Brasil
Diniz, Simone; Ribeiro, Cláudio

  
 ·  A queda do muro de Berlim: um estudo com fontes brasileiras
Ávila, Carlos Federico Domínguez

 
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1 de janeiro de 2011

Dilma: a gestão política da política

[Banco no Parque da Redenção, 1983
Porto Alegre, RS
Luiz Carlos Felizardo.  
Pirelli/MASP] 

Gazeta do Povo,
2 jan. 2011

Adriano Codato

Depois de anunciado o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, alguns reconhecidos videntes profetizaram, pela imprensa, aquilo que eles gostariam que acontecesse a partir de 1º. de janeiro de 2011. A maior contribuição de Dilma Rousseff à política nacional deve ser a substituição, tão rápido quanto possível, do abominável estilo Lula de governar.

No lugar do carisma do presidente, a competência dos técnicos. No lugar da sedução das massas, o convencimento da opinião pública. No lugar das negociações fisiológicas com os partidos fisiológicos, as adesões programáticas em nome do plano de governo. Enfim, no lugar da política institucional, a gestão racional.

Que por “gestão” se entenda a obrigação de impor um ajuste fiscal rigoroso (via corte de gastos sociais), o controle severo da inflação (via aumento de juros), a autonomia das autoridades monetárias (via independência do Banco Central), fica por conta da tentativa desses sábios de rádio e jornal impingirem à coalizão vitoriosa o programa da coalizão derrotada. Que o estilo Dilma, pragmático, mandão, que sua personalidade, autoritária, inflexível, tenha se convertido agora num capital político inestimável, fica por conta da aposta desses mesmos comentaristas de que o padrão ótimo de comando depende só da força da presidente para “controlar o PMDB”, “disciplinar as correntes internas do PT”, e outras quimeras do tipo.

Esse autoengano, que confia que com capacidade administrativa, apartidarismo e fé na boa doutrina econômica tudo andará melhor, tem a desvantagem de esconder um dos maiores desafios do governo Dilma. A necessidade de executar uma agenda ampla de reformas, que vai da transformação dos aeroportos ao redesenho do sistema político, passará necessariamente pela habilidade da nova chefe de Estado em lidar politicamente (e não administrativamente) com conflitos derivados de apetites de todo tipo: dos políticos, dos rentistas, dos funcionários públicos, dos empresários, dos novos consumidores, dos financiadores, dos governadores, dos meios de comunicação, etc.

Isso exigirá capacidade de agregar, de negociar, de transigir, de tolerar. Exatamente o oposto do que acreditam aqueles que apostam nas virtudes de uma gestão mais tecnocrática (ou menos “populista”). Assim, Dilma Rousseff terá de gerir, sem o capital popular de Lula, os interesses políticos da coalizão que a apoia e, se não quiser ficar refém dos compromissos conservadores com os conservadores, incentivar ao mesmo tempo a criação de mecanismos para melhorar a qualidade da democracia brasileira --- possivelmente a maior deficiência do governo Lula da Silva.

Adriano Codato (adriano@ufpr.br) é professor de Ciência Política na UFPR.
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