artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
__________________________________________________________________________________

7 de julho de 2009

colóquio POLÍTICA, HISTÓRIA E SOCIEDADE: PERSPECTIVAS COMPARADAS


[Cemitério com Trilhos,
2006.
Tupiza, Bolívia.
Dimitri Lee.
Pirelli/MASP]

11, 12 e 13 de agosto de 2009 UFPR - Campus Reitoria - ANF 100, às 19 hs.

Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira - ufpr Programa de Pós-Graduação em Ciência Política – ufpr
coord. Adriano Codato e Camila Tribess

11/8 I. SESSÃO: A COMPARAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

A comparação como controle: notas sobre "positivismo" e paroquialismo em ciências sociais

Bruno Reis (UFMG)
Professor de Ciência Política na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

  • Cientistas sociais vêem-se presos a um dilema entre duas opções. A primeira é embarcar em generalizações que os deixam desconfortáveis diante das inevitáveis peculiaridades de cada caso específico; a segunda, ir em busca da enésima teoria "adaptada à realidade nacional" do país x ou y. Se a primeira nos deixa pobremente equipados para compreender algo além da experiência de uns poucos países, a segunda nos deixa desprovidos, a rigor, de qualquer teoria para além do relato do caso em pauta. Argumenta-se que é preferível correr o primeiro risco que o segundo.


Comparação e ciência social: modelos teóricos e aplicações práticas

Renato Perissinotto (UFPR)

Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenador do PPGCP-UFPR e pesquisador do CNPq.

  • A conferência pretende abordar as características fundamentais do método comparativo, suas especificidades quando aplicado às ciências sociais e analisar alguns exemplos de aplicação prática do mesmo.


12/8 II. SESSÃO: MÉTODOS COMPARATIVOS

Quando comparamos para explicar: N grande e seqüências temporais na investigação comparada

André Marenco (UFRGS)

Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e do Centro de Estudos sobre Governo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

  • Seguindo autores como Ragin (1987), Przeworski (1987) e Panebianco (1994), o método comparativo deve ser ambiciosamente empregado como recurso para a construção de modelos explicativos causais de escopo generalizante. Para isto, o uso adequado da investigação comparada, considerando o problema analítico, consistência do modelo teórico, recorte temporal, número de casos e variáveis examinados, constitui condição para extrair explicações causais robustas.


Aplicando o Método Comparativo Subnacional: limites e potencialidades no estudo de democracias federais

André Borges (UFRN)
Possui graduação em Administração pela Universidade Federal da Bahia (1998), mestrado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2000) e doutorado em Ciência Política - University of Oxford (2005). Atualmente é professor adjunto (DE) do Departamento Interdisciplinar de Políticas Públicas da UFRN.

  • Nas últimas três décadas, a combinação entre processos de democratização e descentralização no mundo em desenvolvimento vem modificando profundamente a relação entre os governos central e subnacionais. De modo geral, estas tendências têm contribuído para ampliar a importância das elites e instituições locais e regionais em processos de consolidação da democracia, reformas orientadas para o mercado e implementação de políticas sociais e de promoção do desenvolvimento econômico, dentre outros. Diante destas mudanças, as comparações subnacionais vêm ganhando espaço no arsenal de estratégias metodológicas comumente empregadas pelos cientistas políticos. O objetivo desta comunicação é discutir as principais vantagens e desvantagens do método comparativo subnacional, assim como as suas possibilidades de aplicação ao estudo da federação brasileira. Parte-se do pressuposto chave de que no Brasil e em outras federações continentais e regionalmente desiguais deve-se observar uma grande variação no funcionamento, no desempenho e nos outputs das instituições democráticas entre distintas regiões/unidades da federação. As potencialidades do método comparativo subnacional para lidar com estas questões são discutidas a partir da apresentação de um modelo hipotético, que relaciona o grau de desenvolvimento sócio-econômico e os padrões de competição política às escolhas de política pública dos estados brasileiros.

13/8 LANÇAMENTO DO LIVRO: As cidades cercam os campos, de Reginaldo C. Moraes, Carlos Árabe e Maitá Silva (Ed. UNESP).

III. SESSÃO: QUESTÕES DE POLÍTICA COMPARADA

Processos de desenvolvimento na América Latina: notas sobre promessas e dificuldades da perspectiva comparada

Reginaldo Moraes (UNICAMP)

Professor de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi também professor visitante da Universidade de Salamanca, Espanha. Atualmente é o coordenador de Difusão do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INEU).

  • Na segunda metade do século XX, os países do chamado Terceiro Mundo diferenciaram-se progressivamente. A partir de 1980, sobretudo, numerosos estudos dedicaram-se a examinar, em perspectiva comparada mais ou menos explícita, os 'modelos' latino-americanos e asiáticos. Ao lado de achados instigantes, afirmaram-se, também, algumas dificuldades que merecem atenção.


A comparação e o nível microrregional (Brasil, século XIX)

Carlos A. M. Lima (UFPR)

Possui graduação em História pela Universidade Federal Fluminense (1988), mestrado em História do Brasil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993) e doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Colônia.

  • Unidades extensas de análise, quanto ao Brasil do século XIX, escondem grandes diversidades microrregionais. Quanto a compadrio, hierarquia de rendimentos e posse de escravos, as comparações microrregionais objetivam mais o aprimoramento da descrição, a calibragem de tipologias e a percepção de articulações, pois se direcionam a unidades de análise que guardam em si apenas uma parcela diminuta de sua inteligibilidade, só rendendo informações a partir de seu confronto.

.

6 de julho de 2009

Iluminações da teoria social


[German factory workers watching President Kennedy motorcade through the city. Frankfurt, Germany, June 1963. John Dominis. Life]





"Sem dúvida, o marxismo não poderá deixar de enfrentar diretamente o problema das classes como agentes históricos do presente [...] As classes não são agentes no mesmo sentido que são os indivíduos, os grupos ou as organizações [...] Uma classe jamais pode tomar uma decisão enquanto classe [...] As classes agem através da ação dos indivíduos, dos grupos e das organizações. A ação do agente de classe poderá ser destacada na comunhão de interesses, no paralelismo de aspirações, na analogia das formas de ação e na inter-relação da sustentação recíproca entre as ações dos pertencentes à mesma classe. Em que medida haja consciência de todos esses elementos, e eles se manifestem nos processos decisórios coletivos voltados para um resultado específico – eis um problema que põe uma série de questões empíricas quando à formação e à história das classes".

THERBORN, Göran. 1989. A análise de classe no mundo atual: o marxismo como ciência social. In: Hobsbawn, E. (org.). História do marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, vol. 11. p. 437-438.
.