artigo recomendado


Lopez, Felix, & Almeida, Acir. (2017). Legisladores, captadores e assistencialistas: a representação política no nível local. Revista de Sociologia e Política, 25(62), 157-181.
O artigo analisa a representação política local, focando as percepções e práticas cotidianas dos vereadores. Em particular, analisam-se suas escolhas entre estratégias de representação clientelistas e universalistas. Utilizam-se dados originais de entrevistas abertas semiestruturadas com amostra não representativa de 112 vereadores de 12 municípios de Minas Gerais. Por meio de análise qualitativa, classificam-se os vereadores em três tipos, de acordo com sua principal estratégia de representação, a saber: “legislador”, que se dedica mais às funções formais da vereança; “captador”, que prioriza o atendimento de pedidos coletivos dos eleitores; “assistencialista”, que prioriza o atendimento de pedidos particulares. Os resultados sugerem que essas estratégias são qualitativamente distintas e que a probabilidade de ocorrência do tipo assistencialista é maior em municípios pequenos, crescente no acirramento da competição política e decrescente na volatilidade eleitoral.
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20 de janeiro de 2009

os sentidos da noção de ideologia na tradição marxista


[Marx & Engels
por Loredano
]
Adriano Codato

[escrevi esse pequeno texto com objetivos puramente didáticos sobre a história do conceito de ideologia e seus usos diferentes pelas diferentes tradições marxistas, dos clássicos à primeira formulação de Raymond Williams, em Marxism and Literature (1977)]

Originalmente, a noção de “ideologia” designava, conforme a crença materialista, apenas aquilo que sua etimologia indicava: uma ciência das idéias ou mais propriamente, o estudo científico das idéias. Por oposição à metafísica, Destutt de Tracy argumentou, em princípios do XIX, que as idéias procediam das percepções sensoriais do mundo exterior à consciência, e não de raciocínios a priori, sendo elas, portanto, as idéias, o resultado da interação entre os organismos vivos e o meio ambiente.

Pouco tempo depois, quatro outros significados bastante diferentes desse primeiro surgiram e emprestaram ao termo uma conotação crítica e negativa que o acompanharia até hoje.

Bonaparte reprovou a atividade política dos “ideólogos” (o círculo de colaboradores do Institut Nationale, de que fazia parte o autor de Eleménts d’idéologie, de 1801) e registrou que a ação reformadora desses agentes, inspirada nos ideais do Iluminismo, consistia de fato na manipulação das idéias (matéria-prima dessa “metafísica obscura”) para edificar “um governo de homens sanguinários” (1). Como a doutrina dos ideólogos estava em desacordo com o sentimento dos homens e as lições da História, “ideologia” passou também a nomear toda teoria abstrata, imaginativa, irrealizável na prática (ou, para falar como Antonio Gramsci, “ideologias arbitrárias”, por oposição a “ideologias historicamente orgânicas”).


Na tradição marxista clássica, o termo, mais freqüente nos textos de polêmica política do que no discurso teórico, foi utilizado por Engels e Marx para qualificar os pensamentos tomados enquanto entidades independentes da realidade material, enquanto juízos puramente especulativos, tais como os sistemas de filosofia e a religião – como se o mundo social pudesse ser reduzido a uma batalha imaginária de “frases contra frases” (2).


Engels, mais adiante, agregou um outro significado à noção de ideologia e ela passou a compreender todos os motivos falsos ou aparentes, todas as concepções ilusórias (“falsa consciência”) que concorriam para ocultar do próprio sujeito suas condições materiais e as contradições sociais em que estava enredado.


No século XX a palavra ideologia conservou, na língua comum, aquela acepção de “conjunto de convicções filosóficas, sociais, políticas etc. de um indivíduo ou grupo de indivíduos” (Houaiss), mas também, note, ainda segue designando freqüentemente qualquer pensamento doutrinário, sectário, parcial, dogmático.


Paralelamente, o conceito assumiu, na tradição dos marxistas, um sentido mais descritivo (V. I. Lênin) ou mais explicativo (A. Gramsci) e menos pejorativo. Para o primeiro, ideologia tornou-se a forma de consciência política das classes sociais (a “consciência de classe”); para o segundo, a consciência teórica (ou subjetiva) dos processos sociais.


Em Lênin, ideologia é o sistema ou conjunto de idéias, principalmente políticas, produto de um grupo ou classe social, que, através dele, representa, manifesta, justifica e racionaliza seus interesses (daí sua fraseologia característica: “ideologia proletária”, “ideologia burguesa”).


Já em Gramsci, ideologia indica a totalidade das formas de consciência social ou, de maneira mais direta, visões e concepções de mundo dominantes transformadas em “senso comum”, e que concorrem para a coesão (“cimento”) social. Por ordem de complexidade: filosofia, religião, senso comum e folclore (3). Assim, as ideologias (no plural) funcionam, na teoria de A. Gramsci, como forças organizadoras, e não como concepções intelectuais que podem ser verdadeiras ou falsas per se. São elas que, no limite, circunscrevem o espaço social onde os agentes sociais “atuam, lutam e adquirem consciência de suas posições sociais” (4).


O novo conceito, ou a formulação diferente do antigo, exigiu, nessa tradição, uma reinterpretação da relação de determinação entre o ‘ser social’ e a ‘consciência social’, o que empurrou toda discussão para o reexame da relação entre base e superestrutura – com a condição do edifício social ser pensado agora in totum e não mais a partir das relações, simples ou complexas (sobredeterminações; determinações), das mediações e das oposições entre suas partes.

Gramsci, e depois Williams, irão vindicar, para uma teoria materialista da ideologia (‘hegemonia’, no primeiro caso; ‘cultura’, no segundo), o estatuto do “ideológico” (termo tradicional que preferem abandonar) como constituinte, criador e (re)produtor da realidade social – e não simplesmente reprodutor de significados e valores.


notas
:

(1) Apud John B. Thompson, Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. 2ª. ed. Petrópolis: Vozes, 1995, p. 47.


(2) Karl Marx e Friedrich Engels, L’ideologie allemande (« Conception matérialiste et critique du monde »). In: Karl Marx, Œuvres. Éd. établie par Maximilien Rubel. Paris: Gallimard, 1982, vol. III: Philosophie. Bibliothèque de La Pléiade, p. 1 054.

(3) Ver, para esse resumo, Raymond Williams, Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 212-217. Ver igualmente Tom Bottomore (org.), Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, verbete Ideologia [por Jorge Larrain], p. 183-187.

(4) Terry Eagleton, Ideologia: uma introdução. São Paulo: Ed. Unesp, 1997, p. 109.

18 de janeiro de 2009

Ensaios Bibliográficos

[Kazimir Malevitch]

Chamada para Ensaios Bibliográficos A Revista de Sociologia e Política inaugura em 2009 uma nova seção: “Ensaios Bibliográficos”. Ela irá substituir, progressivamente, a seção “Resenhas”.

Os ensaios bibliográficos consistirão em discussões teóricas e metodológicas sobre domínios específicos de pesquisa em Sociologia Política, Ciência Política ou áreas conexas que tratem da política, a partir da análise de alguns livros (no mínimo três obras) publicados em um período mais ou menos recente (nos últimos dez anos).

De preferência, os autores dos ensaios devem mesclar a literatura nacional e internacional sobre o tema escolhido.


Com tais ensaios, a Revista de Sociologia e Política procura modificar a tradição vigente no Brasil de resenhas, que costumam ser apenas grandes resumos superficiais, de caráter laudatório ou pretensamente “crítico”, de livros recém-publicados.

O objetivo é promover, efetivamente, reflexões sobre o “estado da arte” em áreas específicas (partidos e eleições, comportamento político, valores ideológicos, história política, política internacional etc.).


Dessa forma, os ensaios bibliográficos deverão ter as seguintes características:
  • textos com 15 a 20 páginas, aproximadamente, nas normas da Revista de Sociologia e Política (veja aqui)
  • relativos a no mínimo três livros de uma mesma especialidade, publicados em um lapso temporal amplo (até dez anos)
Os ensaios serão avaliados pelos Editores de Ensaios Bibliográficos da Revista de Sociologia e Política e também por um especialista na área. Eles emitirão um parecer substantivo sobre o trabalho submetido.

Os interessados em submeter ensaios bibliográficos para avaliação devem enviá-los para o seguinte endereço: resenharsp@ufpr.br, aos cuidados dos editores de ensaios da
Revista de Sociologia e Política, Bruna Gisi e Lucas Massimo.

Indicamos abaixo alguns artigos publicados na Revista de Sociologia e Política ou em outros periódicos como modelares para a seção “Ensaios Bibliográficos”:

OFFERLÉ, M. 1993. Le vote comme évidence et comme énigme. Genèses, Paris, n. 1, p. 131-151.

PERISSINOTTO, R. M. 2003.
O poder sem face: de volta à velha antinomia “estrutura” e “prática”? Resenha de Clarissa Rite Hayward, “De-Facing Power” (Cambridge: Cambridge University, 2000). Revista de Sociologia e Política, Curitiba, n. 20, p. 147-152, jun.

PETTIT, P. 1998.
Reworking Sandel’s Republicanism. Resenha de Michael Sandel, “Democracy’s Discontent: America in Search of a Public Philosophy” (Cambridge, Mass.: Harvard University, 1996). The Journal of Philosophy, New York, v. 95, n. 2, p. 73-96, Feb.

VILLA, R. D. 2000.
Mackinder: repensando a política internacional contemporânea. Resenha de Leonel Itaussu Almeida Mello, “Quem tem medo da geopolítica?” (São Paulo: Hucitec, 1999). Revista de Sociologia e Política, Curitiba, n. 14, p. 195-199, jun.
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17 de janeiro de 2009

"A PROPRIEDADE É UM ROUBO"

[Foto: Renato Perissinotto
jan. 2009]


Fotografia de cortiço na região central de São Paulo.

No topo do prédio lê-se a famosa frase de P.-J. Proudhon.

14 de janeiro de 2009

conflitos políticos e classes sociais

Salão Verde. Câmara dos Deputados. Brasília - DF.




Adriano Codato

ufpr/nusp


A desfaçatez da famosa frase de Benedito Valadares a propósito do golpe militar que instituiu o Estado Novo em 1937 – “É interessante observar o ser possível fazer-se uma revolução às
claras, sem o povo desconfiar” [Tempos idos e vividos: memórias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 174] – trai sem dúvida o caráter elitista e autocrático do processo de mudança política no Brasil.


Mas a declaração do líder político mineiro pode ser compreendida igualmente como um indício da natureza esotérica da cena política.

A cena política nunca é totalmente transparente, as disputas entre as forças sociais não são exatas, as estratégias perseguidas pelos partidos não são explícitas, as declarações dos agentes não podem ser tomadas literalmente, os interesses de grupo nunca aparecem como aquilo que são. A cena política é um espaço social que oculta mais do que revela ao observador.


Há duas maneiras de entender as conseqüências dessa última proposição.


Ou se toma a cena política como uma aparência, uma projeção falsificada de uma realidade que é anterior a ela, a justifica e explica (sua “essência”), ou se toma a cena política como uma realidade per se.

No primeiro caso, todo esforço consiste em conectar e revelar os interesses sociais ocultos pela luta entre atores, idéias, partidos e organizações políticas. Esses interesses são invariavelmente interesses "de classe".

No segundo caso, é preciso assumir que agentes, interesses e concepções inerentes a eles podem constituir-se não antes ou fora do espaço político, mas na própria cena política e atuar independentemente dos condicionamentos “de classe”.

Partindo do princípio de que é preciso evitar a confusão usual que reduz as relações de classe às relações entre partidos (confusão típica da corrente dominante da Ciência Política) e, igualmente, aquela que reduz a relação entre partidos às relações de classe (como reivindica certa “ortodoxia”) [Ver Nicos Poulantzas, Pouvoir politique et classes sociales. Paris: Maspero, 1971, vol. , p. . Poulantzas, 1977, p. 245], a cena política não precisa ser tomada sempre como um lugar de manifestação, refratada ou não, da luta de classes; mas como um espaço de lutas sociais tornadas possíveis graças à função específica de mediação das instituições políticas (cujo espaço de existência e manifestação é a cena política).

Essa maneira de compreender o jogo político – como um negócio governado por suas próprias leis e costumes e conduzido (ainda que não comandado) pelos políticos profissionais – me parece mais eficiente para revelar a natureza e o alvo da guerra política.

Assim, esse lugar ou espaço social exige, enquanto espaço social específico, uma percepção da sua organização, da sua evolução e da sua transformação concreta numa conjuntura concreta. É preciso, numa análise de conjuntura, reconstruir o que Nicos Poulantzas designou como a periodização de uma cena política.

Poulantzas insistiu na diferença pouco evidente entre cronologia histórica e periodização política.

Enquanto a primeira é tão só a disposição dos acontecimentos (os “fatos” políticos propriamente ditos) numa seqüência reconhecível ao longo de um intervalo determinado, a periodização política seria a subdivisão temporal do espaço político e a disposição, em seqüência, de diferentes regimes políticos através do tempo. Esses regimes estariam ligados à “luta partidária” na cena política, ou, simplesmente, à luta política, ela mesma condicionada pelo padrão vigente de liberdades públicas [Pouvoir politique et classes sociales. Paris: Maspero, 1971, vol. II, p. 70 e segs].

Nesse sentido, os períodos, fases e etapas de um regime (suas subdivisões) não correspondem, necessariamente, aos períodos tradicionais de governo (suas datações), nem a seu calendário oficial.

Esse princípio de classificação do jogo político, ou melhor, essa proposição teórica sobre como conceber as relações – políticas – entre os diferentes agentes sociais no campo político permite que nos livremos da tarefa, supostamente obrigatória, de reduzir a luta política à luta de classes.

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outros posts sobre N. Poulantzas:
  • Poulantzas, o Estado e a Revolução [aqui]
  • elitismo versus marxismo? por uma agenda empírica de pesquisa [aqui]
  • quem vence? classes sociais e processo decisório [aqui]

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11 de janeiro de 2009

técnica e política

Governor Adhemar Barros addressing a group.
Foto: Dmitri Kessel, 1947. Life.


O Estado Novo em geral é associado a duas imagens: uma ditadura; um regime "técnico" (i.e., onde a técnica de governo deveria superar a politicagem dos profissionais do ofício).

Só que “competência” conta, nesse sistema político, muito menos que representatividade, junto às forças estaduais, e fidelidade política ao próprio presidente da República, o "chefe" da Nação.

Aureliano Leite refere a impressão de Getúlio Vargas sobre seu Interventor em São Paulo a partir de 1941.

Segundo o escritor, o ditador chamava Fernando Costa de “locomotiva de manobras”, já que ele se limitava a “fazer movimentos, barulho, fumaça, sem apreciáveis resultados.
(Cf. Aureliano Leite, Páginas de uma longa vida. São Paulo: Martins, 1966, p. 305, n. 13).

Ademar de Barros era outro caso onde a confiança na lealdade num ambiente de incerteza política pode superar qualquer deficiência. Na entrada de 26 de dezembro de 1938 Getúlio Vargas anota o seguinte:

"[Ademar] me fez a revelação senscional de seu comparecimento secreto a sessões epíritas, onde os seus amigos e guias, já falecidos, a ele se manifestavam, através de uma médium, para informá-lo e previni-lo de certas ocorrências [...]. Fiquei surpreso pela credulidade dele, mostrando-me pedras que recebera dos mensageiros do espaço --- pequenas pedras preciosas que ele afirmava terem se formado no espaço!".
(Getúlio Vargas: diário. São Paulo: Siciliano; Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1995, vol. II, p. 185).

Sem comentários. O ponto de exclamação de Vargas já vale por isso.

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2 de janeiro de 2009

a classe política em Israel e na Palestina

Flags For Israel In
Process Of Being Mad.
Ralph Morse.
Fonte: Life.

Esta me pareceu a análise mais objetiva até agora sobre o conflito no Oriente Médio.
Apresenta uma explicação causal clara e crível sobre os motivos dos participantes.
Põe em primeiro plano as ESTRATÉGIAS ELEITORAIS da classe política e retira a guerra entre Israel e os árabes do Hamas do terreno melodramático típico da cobertura dos diários brasileiros.

artigo
Guerra é movida puramente por causas políticas
ADRIAN HAMILTON DO "INDEPENDENT"
Folha de S. Paulo
2 jan. 2009

Ignore as acusações e contra-acusações de culpa. O bombardeio de Gaza aconteceu porque atendia aos interesses políticos das partes envolvidas.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, o impeliu, a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, o aplaudiu, e o primeiro-ministro Ehud Olmert o sancionou porque há uma eleição programada para fevereiro, e o líder da oposição e arquifalcão Binyamin Netanyahu está na dianteira nas sondagens de intenção de voto. Barak, como líder do Partido Trabalhista, e Livni, como líder do partido governista Kadima, estão determinados a ser mais guerreiros que ele.

O timing estava certo, e as circunstâncias, também. George W. Bush, o presidente americano mais avassaladoramente pró-Israel desde o nascimento do país, ainda estará no poder pelas próximas semanas, antes da posse de um líder novo e menos resolutamente favorável a Israel, em 20 de janeiro.

Ao mesmo tempo, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também em final de mandato, viu nesta guerra a oportunidade de quebrar de uma vez por todas a espinha de sua oposição, o Hamas, antes de serem realizadas novas eleições. Gaza é o último e desesperado lance de xadrez de três líderes que se encaminham para a porta de saída -Bush, Olmert e Abbas.

E o que dizer do próprio Hamas? É verdade que o grupo errou em seus cálculos ao pôr fim ao cessar-fogo quando o fez e subestimar a ferocidade da resposta israelense. Ele travou um jogo de pombas e falcões com Israel, apostando sua própria população na jogada dos dados.

Mas é verdade também que o Hamas tem suas razões políticas para saudar um confronto violento com o inimigo. Quanto mais duro Israel golpeia Gaza, mais enfurecida fica a população do território e mais solidariedade é despertada nos países muçulmanos.

Pode soar como intransigência dizer que centenas de civis morreram puramente no interesse de um grupo de políticos demasiado atentos a suas ambições próprias para levar em conta as consequências. Mas essa é a verdade brutal sobre este conflito. [...]

assinantes lêem mais aqui.